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origem
se move

COLÓQUIO INTERNACIONAL CÊNICO DA BAHIA
09, 10 E 11 de setembro. (PRESENCIAL - 14:00 às 17:00 / Sala Nilda Spencer. Fundação Gregório de Mattos.
12º COLÓQUIO INTERNACIONAL DE ARTES CÊNICAS DA BAHIA – CICBahia/
Toda origem se move
O 12º Colóquio Internacional Cênico da Bahia – CICBahia, realizado no âmbito da 16ª edição do Festival Internacional Gestos de América – FIGA em parceria com o Programa de Pós graduação em Artes Cênicas – PPGAC da UFBA, nasce este ano em torno de uma frase que atravessa toda a programação do festival: Toda Origem Se Move.
Pensar a origem como movimento significa afastá-la da ideia de ponto fixo ou lugar de retorno. Interessa-nos compreender a origem como uma força viva, em permanente deslocamento, capaz de atravessar corpos, territórios, memórias e modos de existência, reinventando continuamente o presente e produzindo futuros possíveis.
Ao reunir artistas, performers, pesquisadoras e pesquisadores de diferentes contextos latino-americanos, o Colóquio propõe um espaço de escuta, partilha e pensamento coletivo. Buscamos aproximar experiências que investigam, por caminhos singulares, as relações entre criação artística, memória, território, ancestralidade, performance, política e tradição.
Cada convidada e convidado desenvolva uma pesquisa própria, assim acreditamos que suas trajetórias desenham, em conjunto, uma espécie de dramaturgia do pensamento. Ao longo dos três dias, o Colóquio percorre um movimento que pode ser compreendido como uma travessia da memória ao corpo, e do corpo à ancestralidade.
No primeiro dia, somos conduzidos às paisagens da memória. As topografias afetivas, os deslocamentos migratórios, os arquivos, os silêncios, o exílio, as violências políticas e os processos de apagamento tornam-se matéria de criação. A memória se revela como uma força que continua produzindo presença e reorganizando o presente.
No segundo dia, esse percurso desloca-se para o corpo. O corpo aparece como lugar de transmissão, invenção e atualização da experiência. A performance, o treinamento, a presença e as micropolíticas do cotidiano revelam que tradição não é uma herança imóvel, mas um conhecimento que continua sendo recriado pelos gestos, pelas práticas e pelos encontros.
O terceiro dia amplia essa perspectiva em direção à ancestralidade. As cosmologias indígenas, os saberes afrodiaspóricos, as relações com os conceitos de natureza, ritual, comunidade e criação artística, revelam que a ancestralidade constitui uma presença ativa que reorganiza continuamente nossa relação com o mundo. A tradição deixa de ser repetição para afirmar-se como criação permanente.
Esse percurso dialoga profundamente com a noção de tempo espiralar, desenvolvida por Leda Maria Martins, onde o passado, presente e futuro não se sucedem de forma linear, mas coexistem em permanente atualização. Nesse sentido, o Colóquio propõe uma espiral, na qual cada uma dessas dimensões retorna continuamente à outra, produzindo novos sentidos e novas formas de existência.
Assim, Toda origem se move deixa de ser apenas o tema da 16ª edição do FIGA para tornar-se uma hipótese de trabalho compartilhada entre todas e todos nós: compreender que aquilo que nos constitui nunca permanece imóvel. A origem desloca-se conosco, atravessa fronteiras, resiste aos apagamentos, reinscreve-se nos corpos e continua produzindo novas possibilidades de criação.
Esperamos que este Colóquio seja vivido como uma experiência de pensamento em comum, onde diferentes percursos artísticos possam se encontrar, friccionar-se e produzir perguntas que permaneçam vivas para além dos dias do festival.
PROGRAMAÇÃO
DIA 09.09. Da memória ao corpo
Junior Romanini (SP)
Marcia Limma e Iara Villaça (Bahia)
Mariela Brito (Cuba) – grupo El Ciervo Encantado.
DIA 10.09. Do corpo ao corpo.
Ana Correa (Peru) – grupo Yuyachkani
Eleonora Fabião (RJ)
Ana Cristina Colla (SP) – Lume Teatro
DIA 11.09 Do corpo à ancestralidade.
Gilsamara Moura (BA) – grupo Gestus
Maria Flor Guerreira (MG)
Onisanjé (BA) – grupo NATA
Nando Zâmbia (BA)